Negro que te quero negro; em seus quilombos, senzalas e favelas, em seus mocambos, com os seus gritos calados, nas noites de frio, no açoite, nos banzos dos mares. Suas carnes encomendadas e vendidas, figuras sub-humanas. Fardos de negros nos porões dos Navios negreiros, peças cobiçadas mais de sei lá quantos milhões de negros mortos em segregação, corpos jogados ao mar.
Negro que te quero negro, com seus gritos, os seus ritos e cultos condenados, sua cultura marginalizada, mas ó Lo rum, tendes piedade de nós.
A sua história que a história negar em contar, porém, estamos resistindo abandonando os porões do anonimato todo negro, mas tem nome! Tem dignidade, tem herança de um povo quilombola, que fez e faz a sua história de cabeça erguida! Fala negro!? O eco que rompe humilhação secular, discriminação milenar.
Negro que te quero negro, com o cheiro e aroma da mamãe África, negro que te quero brasileiro, alma não é branca, luto não é negro, o brasileiro que não tiver o pé na senzala, que dê a primeira chibatada.
Toninho Aribati