
POEMA
Negro, que te quero negro, em seus quilombos, senzalas e favelas, em seus mocambos com os seus gritos
calados nas noites de frios no o solte nos banzos dos mares, suas carnes em encomendadas e vendidas,
figuras sub-humanas, fardos de negros nos porões dos Navios Negreiros peças cobiçadas mais de
trezentos milhões de negros mortos em segregação, corpos jogados ao mar. Negro que te quero negro, e,
sua cultura marginalizada e seus cultos condenados. Olorum tem de piedade de nós, a sua historia que a
historia nega a contar… Mas estamos resistindo e abandonando os porões do anonimato todo negro, mas
tem nome tem dignidade tem herança de um povo quilombola de ancestrais e navios negreiros, antes
eram vergonha e desespero. Mas hoje tem dignidade… Fala negro! O eco rompe humilhação secular,
descriminação milenar. Negro que te quero negro, com o cheiro e aroma da mamãe África, negro que te
quero Brasileiro. Alma não é branca, luto não é negro, e o brasileiro que não tiver o pé na senzala, que dê a primeira chibatada.
Toninho Aribati / Ângela Veríssimo