A Bunda – Toninho Aribati

A Bunda – Toninho Aribati

A bunda por si só é vistosa, se exibe a todo tempo, igual fosse os belos seios, que vestem de vaidade quando se sentem; acariciados; um anda a frente do outro, ambos são cortejados por diversos olhares que os veem balançar de um lado pra outro refletido no mesmo olhar, de quem vê uma lua cheia dividida em dois hemisférios. Alguém disse: quanta gostosura… Quem mais vê? O seu próprio espelho que te chama de donzela, ela diante dele, se exibe feito um penacho de Pavão. Que abre e fecha no formato de um leque. Que bola e rebola, simetricamente.

A bunda é formada de duas bandas, que anda sorrindo parecendo ser duas almas gêmeas. Vive suas fases num formato de lua crescente, querendo ser cheia em noite de São João. Mas, somente a bunda
com seu jeito sarcástico de ser, debocha de quem a vê quando se veste de fio dental, num movimento de ida e vinda, quando se ajunta é para parar o transito.

Os desavergonhados não se dão conta se debruçam sobre peitoril sacada da janela. Contorce e torce com o olhar de cobiça ao vê-la passar. Uns espicham e alongam o pescoço o quanto podem. Assovia… Psiu, psiu. A bunda, quando é feia ninguém quer vê-la passar. Quando ela é bonita e volumosa não precisa ter
cara, nem ser par ou ímpar. Pode ser Maria Raimunda, feia de cara e bonita de bunda.

Toninho Ariabati

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