A MÁQUINA DO TEMPO

A MÁQUINA DO TEMPO

 CONTO POÉTICO

A MÁQUINA DO TEMPO

Autor: Toninho Aribati

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Finalmente lá estava ela pronta: minha máquina do tempo. Os meses de março e abril foram os meses mais longos da minha vida, mas valeu a pena! Além de provar para a minha professora, eu provei a mim mesmo que sou bom de estudo em tudo que quero e em qualquer área. Qualquer tipo de ciência, aliás, que exagero o meu, qualquer uma não, por exemplo: em português sou na maioria das vezes um fracasso e não é por falta de esforço. O fato de me entregar de corpo e alma pelo grau de dificuldade que tenho, deveria me fazer compreender melhor. Na verdade, procuro me relacionar com tudo um pouco, sempre estou atento para compreender o máximo que posso. Porém lamento dizer que português nunca foi o meu forte, na pronúncia nem tanto, tenho um vocabulário expressivo, as pessoas com as quais me comunico parecem entender bem aquilo que digo; agora quando o assunto é escrever, traduzir aquilo que está no pensamento transpondo para a escrita, transformando em letras, depois em textos que explicam a sua melhor intenção de se comunicar para isso, usando a linguagem chamada padrão, é um “Deus me acuda”, coitado de mim! Sempre reclamei dizendo para mim mesmo que não é nada fácil, são palavras do garoto e meu amigo Davi Fernandes Martins, o qual nos momentos em que me vê indeciso, procura me dizer que em tudo na vida existe um grau de dificuldade e comigo não será diferente relacionado a determinados assuntos. Eu, em outras circunstâncias, por não pegar as coisas lá do seu início, ou seja, queimando várias etapas que são fundamentais para que logo de início eu internalizasse pelo menos o fundamental, mas isso é uma outra história. Num momento de conversa nossas, trocando ideias, sempre me incentiva dizendo “continua…” não é fácil de compreender e ser compreendido através da nossa leitura e escrita, tem que se dedicar bastante para compreender todo o saber. Além do mais, não é perda de tempo tentar compreender as coisas, você me disse Davi: – “ Prefiro perder dois meses do meu tempo com a ciência, do que duas horas, um dia ou dois com o português”. Eu te digo que isso é péssimo, mas eu não serei exemplo para você! Vou me rebelar, eu gosto de português no exercício da pronúncia de comunicar verbalmente, escrever meus sentimentos, muita das vezes num sentido de prosa, a semântica poética… De cada caso, o que geralmente faço é compreender melhor os dialetos da região, nele também há muito da cultura de cada povo constituídos na comunidade. Fico às vezes impressionado com a variedade de objeto e coisas com nomes diferentes, mas que significam as mesmas coisas, eu acho isso um

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barato… Os empregos do vocabulário usados em prosas e em diferentes linguagens pertinentes a cada região e povo, contudo nada é igual a forma falada, verbalizada. Quando é para escrever, as coisas mudam de figura: passa a ser a fala materializada pela escrita, mas num breve papo, com o garoto Davi, na oportunidade falamos das mesmas coisas, das dificuldades que ambos temos, não vou negar que no meu caso existe em função do meu pouco saber, tenho dificuldade em tudo relacionado a língua portuguesa e literatura brasileira. Por uma questão de competência não arrisco em querer classificar ou fazer um tipo de análise de um período qualquer, fico totalmente inseguro em relação a isso: logo eu coloco as mãos sobre a cabeça para expressar meu espanto, o meu pranto, oh! Meu Deus… Não saber se expressar com a escrita, dominar a minha língua que também é a sua e

está em livros, em nossas bocas, que a tempo coça, roça, outros tantos dialetos, talvez seja essa mistura de cor, raça, o jeito de cada um ser! Já ouviram falar da tal miscigenação? A formação das misturas de várias raças criando várias tendências culturais. Sinceramente, tudo isso me deixa muito confuso, procuro dar conta em situações complicadas e às vezes me vem um desatino, imagino me desesperar, mas logo me acalmo e vejo que não resolve em nada, enfim… chego ao ponto de não querer ver a língua falada, escrita nem pensar. Tentei explicar a ele o quanto é necessário, mas logo o garoto me respondeu saber: – Amigo, contudo… percebo querer meu bem! Porém, se tratando de entender, já me

basta falar! Somente falar! Pronunciar, tecer diálogos que no final, quando acaba fica com a

gente o prazer do bom papo!

Eu disse a ele: – Em partes eu concordo com você, porém em outras não posso concordar pelo seguinte fato: é importante o diálogo, mas o que rege as línguas são as suas escritas, são elas que registram os fatos históricos, está vendo o quanto é importante ter em nossos arquivos aquilo que um dia foi falado por mim, por você e por outros? Indo mais além, os fatos que se

tornam históricos.

E ele me respondeu:

– Para, para Sr. Antônio, eu já entendi, você tem razão de comunicar, seja com quem for, sinto e compreendo o que me dizem também. Volto a afirmar: a mim bastam os poetas e professores que lidam diariamente com isso, deixo para eles essa incumbência de entender

para explicar, criar e inovar.

***

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Minha mãe me chamou. Corri, me banhei, vi TV, jantei e deitei. 00h30min, já estavam todos dormindo, então me levantei pensando no que meu amigo sábio havia dito, pensei, pensei e decidi agir! E disse a mim mesmo:

– Vou criar a minha própria invenção, posso dizer a minha máquina do tempo, para poder voltar ao passado e compreender o futuro, como o tempo que me resta é pouco vou à minha primeira invenção…

Dentro da invenção eu coloquei os registros e as fotos dos maiores escritores de todos os tempos formando um suposto painel da máquina, girei a alavanca vermelha, o computador logado no “Dr. Google” começou a fazer o reconhecimento e “boom”, comecei a ouvir uns resmungos no meio de todo aquele fumacê que minha preciosidade havia produzido.

– Onde estou? O que houve? O que está acontecendo? Será bruxaria?

Apareceu do nada uns camaradas épicos, umas figuras estranhas a meu ver, que andavam de um lado para outro no meu quarto, repetindo entre eles as mesmas palavras o tempo todo, com um senso de humor que me fizeram rir bastante. Depois de ter dado boas risadas com eles, resolvi me manifestar com tal proeza aos meus ilustres camaradas:

– Boa noite, senhores! – Saudei-os, causando espanto, essa não era a minha intenção, pois não sabia exatamente quem eram eles! Logo um dos camaradas me disse:

– Um bruxo!? Olhe à sua frente! Aluísio de Azevedo, sabia? – Indagou-me espantado.

– Ora não diga tal tolice, ele é apenas um garoto – Machado de Assis respondeu.

– Então, é um garoto bruxo também! – Insistiu Aluísio.

– Não seja exagerado, Aluísio. – Disse Machado de Assis.

E agora o que faço? Fiquei espantado com ele e comigo mesmo.

– Vocês se conhecem? A pergunta seria para mim e para Machado de Assis. Eu respondo revestido da sua presença e todo o seu conhecimento, simplesmente por estar perto dele. É claro, comecei a me ver no projeto à espera da minha primeira invenção, quando fui indagado por Gonçalves Dias:

– Essa que é sua máquina do tempo? Esse teu invento que de forma mágica nos faz sair

do passado e ir para o futuro de novo?

– É minha primeira invenção, talvez seja o grande motivo dos senhores estarem aqui comigo para me ajudar a desempenhar um trabalho de escola que está sendo uma pedra no meu sapato, dá para perceber o quanto dói? Por isso vocês estão aqui, por favor podem me ajudar? Estou precisando de muita ajuda! – Eu usei de ímpeto e força mental para que eles entendessem o mais rápido que pudessem e começassem a me ajudar.

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José de Alencar ironizou:

– Estivemos nos anos de 3030, 4050 e até no ano de 4095. Muito antes de existirmos enquanto habitantes desta terra, engraçado! Seria um chute meu dizer estas asneiras, no caso, um absurdo da minha parte relacionar os poetas brasileiros a um tempo em que nada disso existia, imaginam os senhores! Voltado a um outro tempo, mais atual. Estamos no ano final de 2018 entrado em 2019. E até hoje não houve nenhuma invenção como essa.

Sendo assim, eu fui o primeiro a concluir tal invento:

– É verdade, nunca estivemos no segundo milênio antes. – Constatou Cruz e Souza.

– Por que nos trouxe aqui? Você tem alguma pesquisa científica para realizar com a gente?

– Negativo, não vou deixar que retirem meu cérebro novamente… – Volta dizendo Machado de Assis – Me senti tão morto, quando fizeram isso na “World 4000”, em 4095!

– É, mas quando você voltou para o século XIX, teve a brilhante ideia de escrever o conto “Memórias póstumas de Brás Cubas”, que se tornou um grande sucesso.

– Tem razão Castro Alves, mas isso foi só um detalhe.

– Eu já estava sem entender aquela conversa. Os caras além de serem “feras” da escrita

da literatura brasileira, sabiam mais do meu futuro que eu mesmo.

– Fique calmo Sr. Machado, aqui ninguém vai retirar seu cérebro… – Eu disse-lhe acalmando, apesar que eu adoraria fazer isso para ser definitivamente implantado em mim, no lugar deste meu que funciona pouco, comparado ao seu que tudo sabe.

– É bom ouvir estas palavras – Ele me disse serenamente.

– Na verdade senhores sábios da nossa literatura e língua portuguesa, eu trouxe vocês até aqui, porque eu estou de dependência em duas matérias: Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e preciso que me falem um pouco sobre vocês, para eu fazer um trabalho, que deverá ser entregue às 07h00 min do dia seguinte, nesse caso meus amigos será manhã…

Eles num coro de vozes fúnebres me disseram:

– Já que é assim fique calmo garoto, vamos te ajudar o máximo que pudermos, se esforce o quanto puder, pois vamos torcer para que você tire boas notas e saia dessa condição que é péssima em dizer: “bomba para o aluno”.

– Obrigado a todos que dispõe do seu tempo para me ajudar, podem estar certos que eu vou me esforçar ao máximo e serei grato à todos vocês pela ajuda para que eu não perca oano, tomando bomba, por isso reafirmo: preciso muito dos senhores!

– Olavo Bilac por um instante tomou a fala de alguém e disse:

– É muito fácil, ele pode começar que vamos ajudar.

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– Claro que podemos!

-Eu me sentindo seguro diante daqueles caras disse:

– Por favor! Cavalheiros, assentem-se.

Eu deveria estar com o lápis e o caderno na mão para anotar tudo o que eles me diziam, mas não, eu estava diante de grandes representantes da nossa língua e queria ouvi-los.

Seria uma experiência única.

– Bom… – Olavo Bilac iniciou sua fala, naquele momento ele era o único de pé, mas tudo bem era o momento dele. – Eu me considero um escritor parnasiano, inteligente, bonito, amigo de todo mundo, inclusive do rei e da rainha…

– Perdoe-me Olavo – Castro Alves lhe interrompeu – Mas eu acredito que o garoto queira saber sobre sua vida e não de suas qualidades.

Olavo Bilac então respondeu:

– Me desculpe, eu me distraí.

– Tudo bem! – Exclamei com um leve sorriso.

– Continuando… O Parnasianismo representou um retorno ao clássico na poesia.

Eu mesmo fiz questão de deixar claro o princípio do belo na arte, a busca do equilíbrio e da perfeição formal, além de uma pitada de sensualidade e patriotismo.

– Uma verdadeira “frescura”. – Disse Gonçalves Dias.

– Ora Gonçalves Dias, não seja invejoso! – Berrou o Olavo.

– Eu não estou sendo invejoso, estou sendo realista! – Gonçalves respondeu de pé –

Não existe forma de expressão melhor do que o Romantismo, o amor, o sentimento.

– Então você deve achar que os seus poemas “Juca Pirama” e “Os Timbiras” são grandes obras? – Alfinetou Olavo.

– Mas é claro que são, estes poemas lindos marcam o início do Romantismo aqui no Brasil. Diferente da sua obra “Poesias”, que é um lixo.

– Você nunca leu minha obra.

– Li sim, no ano 3.030 – Respondeu Gonçalves usando de ironia.

E cá para nós, vindo da via láctea cruzando ventos e fogos, são os piores de todos.

– Ora, seu…

Tive que entrar no meio deles ou alguém voltaria para casa ferido, pedi que assentassem e ficassem calmos, assim fizeram. Então pedi a todos que falassem baixo, meus pais estavam dormindo, todos concordaram. Castro Alves começou a falar de si para nós.

– Eu deveria ser político, claro que deveria. Sou um homem iluminado por Deus, nasci predestinado a cuidar dos pobres e dos negros desamparados.

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– Esses condoreiros, sempre imaginando que são melhores do que os outros. – Constatou o nobre amigo João da Cruz e Souza, consagrado pelo público o poeta Cruz e Souza.

– Meu caro e nobre amigo, falando um pouco de mim, você devia me amar, afinal fiz várias obras a favor do seu povo, diz pra todos aqui o que represento para a nossa literatura e língua portuguesa, com divinos trabalhos é verdade, devo admitir, no mais… eu te admiro por ser um dos percursores do simbolismo no Brasil, segundo Antônio Cândido, Cruz e Souza disse que você é único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, digo para todo mundo quem é você e a sua importância, como consta na Enciclopédia brasileira, agora me fala sobre você? Para tanto querer me criticar, cadê o seu respeito em relação a minha pessoa.

– Eu não estou julgando a sua obra Castro Alves, pelo contrário, considero “Navio

Negreiro” e “Vozes d’África” as mais lindas expressões de seus livros escravos.

Mas não quer dizer que você não seja egocêntrico.

– Tem razão… Cruz e Souza, talvez eu seja um pouquinho! – Castro concordou –

Obrigado pelo elogio, também gostei muito de ler “Missal e Broqueis”.

– Aliás, lhe disse que eu adoro o simbolismo?

– Adora!? – Cruz e Souza, perguntou um pouco espantado.

– Mas é claro, o simbolismo é tão misterioso, cósmico e cômico. Retrata o espírito, a alma a morte.

Me arrepiei quando ele disse tudo isso, o certo que amei isso!

– Obrigado Castro, me sinto lisonjeado!

Naquele instante, interrompendo tudo, vejam quem entra na conversa sem mais nem menos: Gregório de Matos, misturando tudo, o esperado, o não esperado, um camarada antigo quase da idade média, do Brasil colônia, na sua época foi famosíssimo, mais conhecido como o boca do inferno, o boca de brasa, um poeta que marcou época pelo seu estilo direto de ser… um tanto quanto polêmico e provocador, dizia tudo que era para dizer sobre a sua obra, pertenceu ao movimento barroco, marcou época com a sua poesia satírica religiosa, quando faz diversas críticas à Igreja católica, nascido em Salvador, baiano nato, conforme consta na

Enciclopédia brasileira.

Não deixou por menos ao dizer:

– Eu vim, mesmo sabendo que não fui convidado pelos senhores, mas indiferente vim!

Vim por minha conta, aliás por essa máquina do tempo, essa loucura que esse garoto fez, me

senti o tal!

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Todos nós demos boas gargalhadas, foi surpreendente, todos muito surpresos com a sua presença foram respondendo inclusive eu…

– Pelo contrário, seja bem-vindo! Você faz parte da nossa história, da nossa luta! Naquele momento ele recebeu de todos nós uma salva de palmas, de todos os imortais presente que o reverenciavam, ele educadamente agradeceu a todos pela atenção e carinho, mas deixou o seu recado tipo dando uma dura, ou seja, em consideração a minha pessoa.

– Foi dizendo para todos ali presentes, e para os que consequentemente fossem chegando.

– Vamos dizer toda a verdade para o garoto, vamos deixá-lo o mais informado possível de tudo que fizemos e somos, vai ser de suma importância para apresentação do trabalho dele na escola, de momento é isso e para finalizar um abraço a todos, quero parabenizar a este esforçado garoto que teve a brilhante ideia de criar este fabuloso invento: a sua máquina do tempo, essa sua nave que nos traz aqui na terra de volta para que possamos ensiná-lo sobre a

nossa verdadeira história literária.

E não parava por aí… mesmo com o puxão de orelha a seriedade recomendada pelo amigo, o Boca do inferno, uns minutos atrás. Como conter a nossa euforia… parecia ter virado festa no quarto com a chegada de outros imortais, eu fiquei de boca aberta com tudo que ele nos disse, era certo que muitos achavam o Gregório de Matos uma figura tensa e um exímio provocador da sua época. Na magia do decorrer da noite, só chegando gente boa, os imortais.

Maravilha meu Deus! Pensa, era tudo que eu queria, mesmo sendo de maneira simbólica um tipo de magia, foi e está sendo muito legal, coloquei a minha mesinha de centro com um caderno de presença e na medida que chegavam, assinavam e eu dizia:

– É muita gratidão, o que eu mais queria era mantê-los ao meu lado, para me ensinar aquilo que bem sabiam, ou seja, uma maneira de documentar a entrada e saída de quem viesse.

Quando alguém me toca aos ombros, me dizendo com um tom de brincadeira:

– Sou eu, o José de Alencar!

Quem? José de Alencar?

– Muito bem, desde já agradeço a presença do senhor! Gostaria que me dissesse um pouco sobre você, da sua história.

– Bom o meu nome talvez você já sabe, artisticamente e por outras considerações me chamam José de Alencar, fui avaliado pela empresa crítica, de ser além de um excelente advogado! Também um político partidário, jornalista. No mundo das artes fui dramaturgo, considerado o principal romancista de minha época, me destaquei e fui mais longe nos romances que completam a trilogia indigenista: O Guarani (1857), Iracema (1865) e

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Ubirajara (1874). O primeiro fala sobre o amor do índio Peri com a mulher branca Ceci.

O segundo, Epopeia, fala sobre a origem do Ceará, tem como personagem principal a índia Iracema, a “virgem dos lábios de mel” e “cabelos tão escuros como a asa da ‘graúna’”.

O terceiro tem por personagem Ubirajara, um valente guerreiro indígena que durante a história cresce em direção à maturidade, como podem verificar na enciclopédia livre, artigo Discussão nos sites de busca da internet.

Cordial e educadamente, ele disse tudo que eu precisava saber e de lambuja, me deu alguns dos seus livros, melhor dizendo: todos! Hoje sei tudo sobre ele de cor e salteado, tenho uma grande admiração e respeito, ele se sentiu agraciado e sem que eu pedisse me deu um abraço fraterno e valioso! Olhando nos seus olhos eu disse:

– Foi um enorme prazer ter conhecido o senhor pessoalmente, o meu muito obrigado! Ele finalizou e me disse:

– Precisando eu estou à sua disposição. E nessa ordem toda se dispunha a assinar o meu livro de presença.

– O próximo sou eu!

Sou eu quem? Por favor!

– Antônio Gonçalves Dias… Gonçalves Dias é a maneira que me reconhece.

Logo percebi ser um senhor totalmente do bem, me tratando com a maior delicadeza

me disse:

– Quer me entrevistar meu garoto? Me disseram que você está com o trabalho de

escola precisando ser feito, no que eu for útil estou aqui para ajudar, como sabe muito antes de você nascer eu já esperava em algum momento te encontrar!

Me espantei com o que ele disse:

– Como assim?

Ele me respondeu:

– Deixa isso para lá… vamos no que nos interessa. Falando sobre mim sou Antônio Gonçalves Dias, no dia a dia eu já te disse: me chamam Gonçalves Dias. Há, sou advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo.

Para completar, os outros poetas fizeram a sua apresentação:

– Ele é Gonçalves Dias foi um poeta, jornalista, professor, etnógrafo, advogado e teatrólogo maranhense. Talvez ele seja um dos mais representativos poetas da primeira fase romântica no Brasil.

Algumas de suas obras: Canção do Exílio (1846), Juca-Pirama (1851), Os Timbiras (1857). Pesquisou a fundo a nossa língua portuguesa e a literatura brasileira.

Foi nascido em 10 de agosto de 1823 e falece em novembro de 1864, meio estranho a gente

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dizer o início de sua vida e fim, mas como aqui tudo é mágico, posso me expressar a vontade e da forma que queremos.

Então, agradeceu a todos e retomou a sua apresentação falando tudo novamente:

– Enquanto escritor, me considerava ser um grande expoente do romancista brasileiro, sou autor do poema: “Canção do Exílio”, o poema épico – Juca-Pirama, Os Timbiras e tantos outros poemas que caracterizam o nacionalista e patriota que sou, considerado também como “indianista”, modéstia à parte, sou um dos poetas mais conhecidos da literatura brasileira, por ter escrito vários poemas da língua indígena!

Encheu o peito para dizer:

– Sou o mais nacionalista do Brasil. Fui um ávido pesquisador do folclore brasileiro, basta pesquisar na internet.

A coisa estava tão bem conduzida que, automaticamente, eles mesmos faziam toda a

questão de se apresentar:

– Boa noite! Estou chegando agora e vou direto ao assunto sem muito rodeios!

Foi dizendo:

– Sou Casimiro de Abreu, fui um poeta brasileiro, autor do célebre poema “Meus Oito Anos” que publiquei no ano de (1857). Ademais podemos destacar as obras: As Primaveras escrito em (1859), Saudades (1856) e Suspiros (1856). O meu tempo aqui na terra foi curto, faleci muito jovem, mas eu creio que deixei a minha mensagem. Mais alguma coisa que o jovem queira saber?

– Eu respondi a ele:

– Você foi breve e sucinto, em resumo respondeu tudo que eu preciso saber, tudo que disseste condiz com o que seus amigos poetas disseram a poucos minutos a seu respeito, o nosso muitíssimo obrigado!

– Gente, outro que chega de forma bem descolada, indo direto ao assunto:

– Sou Manuel Antônio Álvares de Azevedo, ou apenas Álvares de Azevedo, fui o escritor contista, dramaturgo, poeta e ensaísta brasileiro. Me destaco com as obras publicadas postumamente, sou contista, escrevi As Três Liras e A Noite da Caverna, basicamente essa é a

minha contribuição, algo mais? Somente agradeci a sua participação. Eu, na altura dos acontecimentos, já não fazia nenhum tipo de objeção em relação aos meus ilustres convidados e colaboradores do meu trabalho, deixando em ordem qual seria a geração pertencente de cada um, se era a primeira, segunda ou a terceira geração, as características e estilos individuais de cada um, informações de suma importância, mas no trabalho eu faço essa diferenciação de ordem, pois é essencial

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saber disso. Porém, por uma questão de memória, gostaria de não ser injusto com nenhum deles presentes ou ausentes, como um bom exemplo: Fagundes Varela, Eugênia Câmara, Escritor e médico brasileiro, Joaquim Manuel de Macedo, destaca-se por sua prosa. Sua obra intitulada “A Moreninha”, publicada em 1844, é considerada o primeiro romance brasileiro.

Outras obras que se destacam: O Moço Loiro (1845), A Luneta Mágica (1869), As Vítimas- Algozes (1869). Outros como José de Araújo escritor, jornalista, pintor, caricaturista, arquiteto, crítico, historiador, professor, diplomata e político brasileiro.

Considerado o fundador das revistas: “Guanabara” e “Lanterna Mágica”. Suas principais obras: A destruição das florestas (1846), Brasilianas (1863) e Colombo.

Outro que espontaneamente me concede uma entrevista com a maior naturalidade: Manuel Antônio de Almeida que foi escritor, jornalista, médico e professor brasileiro.

Destaca-se sua única obra em prosa denominada “Memória de um sargento de Milícias” (1852). Em resumo, a terceira Geração Romântica no Brasil se dá nos períodos que corresponde de 1870 a 1880. Conhecida como “Geração Condoreira”, uma vez que esteve marcada pela liberdade e uma visão mais ampla, características da ave que habita a Cordilheira dos Andes: Condor. Formadores da nossa história, a loucura continuava entre eles, um entre e sai, uns brigavam, outros se elogiavam, confesso que estava me divertindo muito com essa aula de português e literatura brasileira, sou um privilegiado por conhecer e ao mesmo tempo estar bem próximo deles…

estes verdadeiros gênios da nossa língua e literatura brasileira, talvez até estivesse começando a gostar um pouco de português e literatura.

Exemplo do que falo, eu não parava de indagar qualquer um que se aproximasse de mim, comprovando sobre o astral que vivíamos:

– Veja só quem chega do nada e vai logo me dar um abraço!

O senhor Aluísio, agradece o abraço, mas não perdi a oportunidade, já fui logo dizendo:

– Por favor! Fale um pouco de você da sua história!

Ele me respondeu:

– Eu vou ser bem direto, sou naturalista, retrato as pessoas em sua forma real.

Para mim não existe essa de mulher ideal e nem homem príncipe passando a ideia de ser perfeito, embora levando em conta os contos de fadas, para mim tudo é vivência em qualquer situação.

Na minha poesia vão ver estas questões de maneira explícita, tento passar coisas que imagino ser reais, mesmo falando de poesia sou ciente de sua importância em qualquer estilo de época, conviver para entender de maneira clara e real.

E então perguntei:

– Como assim senhor? Falando de poesia?

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Ele respondeu:

– Eu sei… esqueceu que sou naturalista. Baseio-me no coletivismo, na sensualidade, na beleza que vejo de forma real, me condena por isso ou não? Se quiser me entender melhor, leia minhas obras: “O Mulato”, “O Cortiço” e “Casa de Pensão”.

Mais alguma pergunta?

– Eu estava boquiaberto, nunca ouvira alguém falar de si próprio de uma forma tão

rápida e direta assim!

E então disse:

– Não, sem perguntas!

Recordei-me de um trabalho que fiz quando cursava a 8°série, o qual lá não foi satisfatório o resultado.

Volta José de Alencar dizendo exatamente assim:

– Eu estava buscando a identidade nacional do Brasil – concluiu Alencar.

– Agora, que tal um mestre da literatura falar! – Eu disse, fazendo com que todos me olhassem com seus olhares mais convencidos – Machado de Assis, por favor! Talvez eu não devesse ter dito aquilo, minhas palavras soaram fúteis, como se eu estivesse desprezando os outros autores, que depois do agradecimento do Assis começaram a me perguntar se eu via algo de errado no trabalho deles, se eu não gostava deles e até mesmo se Machado havia me subornado.

– Claro que não! Não há nada de errado com vocês ou com os seus trabalhos, pelo contrário.

– Então por que o elogio para o Assis? – Indagou-me Olavo Bilac.

– Eu ainda acho que foi suborno. – Reagiu Álvares de Azevedo em um alto tom de voz.

– Porque é óbvio que se existe alguém melhor, este alguém sou eu!

– E por que seria? – Indagou Machado. – Porque eu sou o mais novo de todos aqui

presentes, então é óbvio, sou o mais inteligente!

– Você é um ultrarromântico, cadê o seu pessimismo? Sua depressão? Seu vício pela morte? – Ironizou Assis.

– Eu prefiro o depressivo que ao menos assim vocês não me incomodam!

– Sem contar, Álvares, que os escritores de sua geração são considerados o “ mal do século” e você: um artista incompleto. Pois por mais que “Lira dos Vinte Anos”, seja um sucesso pela visão dualista onde se destacam as faces de Ariel e Caliban, é estranho você ter escrito tantas desilusões amorosas antes dos 15 anos de idade! – Eu disse.

– Não é estranho meu jovem, é talento, ou você acha normal um garoto da sua idade, criar uma máquina do tempo?

Por essa eu não esperava, ele me prensou na parede sem abraçar!

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– É você tem razão! – Respondi sem graça. – Mas, meus senhores, não se ofendam, eu disse que o Machado de Assis era o melhor porque muitas de suas obras como “Dom Casmurro” viraram temas para a teledramaturgia.

– Teledramaturgia!? – Espantou-se Castro Alves.

– É Castro, vimos isso nos anos de 4.095, são novelas não se lembra? – Indagou Aluísio de Azevedo.

– Claro, agora me recordei!

– Então, foi por isso! – Expliquei.

– Tudo bem, você está perdoado. – Disse-me Álvares.

– Obrigado!

– Senhores, eu posso falar? – Indagou Assis, causando um silêncio entre nós.

– Eu sempre me preocupei em retratar a realidade social, buscando ser o mais natural

possível.

– Fale mais sobre “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. – Eu lhe pedi.

– É um conto, no qual eu quis representar a autobiografia como nunca, de forma que

foi minha ruptura do romance.

– E é verdade que sua ex-companheira, Carolina, lhe inspirou a criar a personagem

Dona Carmo de Memorial de Aires”?

– Foi sim! – Ele me respondeu com astúcia.

De repente me virei para o relógio, eram 3h00 da manhã e eu tinha aula às 7h00, não havia escrito nada ainda, o que faria? Tive uma ideia.

– Eu estou muito cansado, não dará tempo de escrever tudo o que passaram. Se importam de me fazer este favor?

– Mas é claro que não! – Disse Cruz e Souza.

– Se não fizerem deixarei vocês presos aqui para sempre.

– Ora, mas que garoto insolente, eu vou lhe…

Álvares de Azevedo estava vindo, irritado em minha direção quando Assis o deteve com o braço, olhou bem para ele e disse:

– Acalme-se meu caro será um prazer fazer este trabalho.

– Será? – Indagou-lhe, Gonçalves.

– Sim, será! – Respondeu-lhe Machado com um olhar muito suspeito.

Porém estava tão cansado que simplesmente ignorei. Fui para o quarto e conclui minha noite de sono.

Acordei, me arrumei, tomei café e fui para o porão buscar o trabalho levando uma bandeja de café.

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– Olá cavalheiros! – Eu saudei-os educadamente.

– Olá! – Um coro me respondeu.

– Eu trouxe um café para os senhores.

Todos eles se viraram para a bandeja dizendo coisas como: “muito obrigado” ou “eu estava querendo” e “que delícia!”.

– E então fizeram a gentileza de fazer o trabalho? – Indaguei todos ali.

– Mas é claro que sim! – Afirmou Aluísio de Azevedo – Somos homens de compromisso e palavra! Com ar sorridente me disse:

– Está tudo tranquilo meu garoto! – Deu mais um sorriso.

– Aqui está. – Álvares me entregou.

– Nossa, eu não sei nem como lhes agradecer!

– Disponha! – Disse Machado. Então eu coloquei a máquina no modo reverso, peguei

novamente as fotos e os registros e coloquei no painel, girei a alavanca vermelha, o computador começou o processamento e “boom”, eles já estavam me fazendo falta.

Peguei meu trabalho, assinei o meu nome (Davi Fernandes), fui para a escola, me dirigi à biblioteca e entreguei meu trabalho para a minha ex-professora de português, atualmente bibliotecária.

– Muito bem bonitinho, espero que tenha feito direito… – Disse-me a professora.

– Eu também! – Concordei com ela.

Dois dias se passaram, então eu fui à biblioteca buscar o resultado. Cheguei muito empolgado para ouvi-la dizer “você tirou nota máxima”, quando ela disse:

– O que aconteceu com você? Que porcaria é essa de trabalho que você me apresenta… Sua nota infelizmente foi zero!

– O que? – Impressionei-me.

– Você fez o que deveria ter feito, porém errou em afirmar quem fez.

– Não entendi? Disse para ela já meio irritado com a situação, imagina depois de tudo

que fiz tirar zero, comecei a lamentar!

– Álvares de Azevedo não é autor de “Juca-Pirama” e muito menos Machado de Assis

pertenceu ao mal do século.

– Entendi! – Me sacanearam.

– Eu sabia que devia ter desconfiado daquela troca de olhares! – Sussurrei.

– O que disse? – A professora me indagou.

– Nada! Eu só estava pensando alto! – Eu disse – Será professora que você não poderia me dar uma outra chance?

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– Claro que sim bonitinho, te dou três dias para me falar dos modernistas. – Feito!

Combinado!

00h30 já estavam todos dormindo, então me levantei para poder colocar mais uma vez em atividade a minha invenção. Eu coloquei os registros e as fotos que precisava no painel da máquina, girei a alavanca vermelha, o computador começou a fazer reconhecimento e boom”, comecei a ouvir uns resmungos no meio do fumacê que minha preciosidade havia produzido.

– “Onde estou? O que houve? O que está acontecendo, será bruxaria?” Os caras perambulando pelo meu quarto repetiam estas palavras o tempo todo. E só depois de ter rido bastante eu resolvi me manifestar.

– Eu, na necessidade da conclusão, fui ver o que estava por terminar do trabalho, nada,

depois sempre vem uma nova era, novos tempos à escrita, começando a ser imortalizada pela imagem colorida do mundo imaginário de Monteiro Lobato, Lima Barreto, que bom ver vocês…

– Eu disse e eles me responderam:

– Somos de uma nova era que denominaremos Era Moderna.

Ao ouvi-los querendo acreditar, porém com o pé atrás com medo de ser sacaneado novamente, em função da minha desconfiança indaguei todos ali presentes dispostos a me ajudar que encarecidamente fossem sinceros, pois a minha condição em relação à escola era de vida ou morte, explicando o incidente anterior e que eu estava prestes a tomar bomba caso

não conseguisse pela segunda oportunidade realizar o trabalho:

– Por favor! Peço a todos aqui, sejam sinceros comigo nas suas informações, eu digo isso porque sei que vocês além de saberem muito a respeito, são mestres no assunto e o fato de eu trazê-los aqui no meu quarto através da minha máquina do tempo para me ensinar

aquilo que não sei, transpondo para o trabalho, é a minha garantia de sucesso. Um trabalho com nota máxima é o que preciso senhores, para que eu possa passar de ano, então eu conto cem por cento com vocês, por favor me ajudem!

Como fonte da minha pesquisa devo “dar nomes aos bois” com seus referenciais, ou seja, mostrar quem são os percursores deste movimento que caracterizou o grande momento da literatura brasileira, denominado Arte Moderna. Entre um zum zum zum danado com todos ali no meu quarto querendo no mesmo momento dizer algo, eu me vi maluco por alguns instantes, quando num grito de ordem Oswald de Andrade tomou a palavra dizendo o que acreditava como mudança, que pregava a liberdade na construção do texto deixando de lado as formalidades encontradas nas obras dos períodos anteriores.

O autor buscava,

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principalmente, formar uma identidade nacional, acreditava na relevância da cultura brasileira, escreveu a primeira obra modernista publicada no Brasil “Pau-brasil”, um livro de poemas. Escreveu também dois importantes textos para o modernismo: o “Manifesto Antropófago”, publicado na Revista da Antropofagia que Oswald colaborou na criação e o Manifesto da Poesia Pau-brasil”, publicado em 1924 no “Correio da Manhã”.

Importante destacar que os textos poéticos que apresentam os versos livres, não deixam de reunir a principal característica das poesias: a musicalidade. Os versos livres tratam de uma característica importante da literatura moderna e contemporânea, visto que a maior intenção desses escritores era criar algo diferente e inovador, rompendo assim com os padrões clássicos de petrificação ao subverter as formas poéticas tradicionais.

Oswald de Andrade acreditava que a cultura brasileira, assim como o pau-brasil da época do Brasil colônia, poderia ser exportada, pois tinha qualidade para isso. Para o autor, a arte precisava ser mais autêntica, ser original. O escritor buscava a cultura que não era

tradicional, queria romper com o convencionalismo. Foi ele que, inspirado pela arte que estava sendo feita na Europa, percebeu que era possível unir a cultura popular e a erudita.

Mario de Andrade, pede a palavra a Oswald de Andrade, para dizer o quanto era importante o movimento que atraiam vários percursores pioneiros do movimento: Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos, Tácito de almeida, Di

Cavalcanti, entre outros que não paravam de chegar a todo momento, saiam da máquina tentando de toda maneira me ajudar.

Eu, no meu quarto, ainda admirando a eficiência da minha máquina do tempo, me debruçava e babava com a minha invenção, pois através dela eu estava tomando consciência da importância da nossa literatura brasileira, mesmo com certas influências de diferentes formas, mas não tem como negar que após esse período da história construímos a nossa própria literatura. Portanto, todos aqueles camaradas, senhoritas e senhoras ali presentes, reunidos no meu quarto num fuzuê total, entre os falatórios, estavam me trazendo conhecimentos e ao mesmo tempo me divertindo muito com tudo que estavam fazendo.

Então disse:

– Imaginem os senhores nos dias de hoje, eu, no meu quarto, ver todos aqui reunidos no ofício de me ensinar português na origem da questão, eu só tenho que agradecê-los por

tudo que já aconteceu no passado e, para mim, agora no presente, vou mais além, sou o mais privilegiado da minha escola e eu digo isso com muita alegria por estar tendo essa sorte!

No entanto, com essa abertura e espaço foram surgindo outros potenciais, no caso a segunda leva da modernidade trazendo grandes escritores, grandes poetas e poetisas, a minha

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máquina parecia desenhar uma e mais outra etapa, quero dizer tendências de estilos e

rupturas.

A publicação “Alguma Poesia” (1930) de Carlos Drummond de Andrade marcou o início da intensa produção literária poética desse período, com isso não paravam de chegar novos poetas, poetisas, escritores e escritoras, eles diziam ser de um novo tempo, um novo estilo que nascia:

– Somos diferentes e viemos todos na intenção de fazer a ruptura, um divisor de águas…

E diziam com ênfase e muito orgulho, não paravam de chegar pessoas de diferentes partes do Brasil.

Era um entre e sai, sempre um e outro batia à porta pedindo licença, querendo entrar e numa situação dessas, como não deixar! Já imaginando ser algo diferente que pudesse acrescentar, quebrando regras, desconstruindo a métrica, a rima, essa coisa padronizada do verso com espaços e medidas, formas na formatação do verso solto,

abandonando o modelo tradicional, como exemplo o soneto. Imagina só:

– A Que devo a sua presença que nos honra muito?

De acordo com o papo, uma deixa e outra, eu não sabia, mas olha quem chega meio desajeitado com uma pastinha debaixo dos braços, educadamente nos cumprimentou:

– Boa tarde a todos! Um momento só com suas licenças, serei breve! Espero não atrapalhar… A demora é pouca, tenho que voltar de viagem ainda hoje, não sou e nem moro aqui, sou de longe e não posso demorar.

– O porquê da pressa senhor? Mal falamos com o senhor! Nem sabemos qual o seu nome ainda e nos diz que já vai embora, como assim já vai embora? Aguardei por alguns segundos com toda a sua calma e leveza que pudesse ter e ele respondeu:

– Desculpa pela pressa, o meu nome é Carlos Drummond de Andrade! Quem escreveu

recente o poema “Vasto mundo” …

– O poema “Uma pedra no meio do caminho”, é o senhor o autor deste poema? Que

vimos aqui publicado em um jornal se não me engano em uma revista também?

– Sou eu sim! É fato que repercutiu muito com diversas críticas me dizendo mil horrores a respeito, disseram ser um poema confuso, repetitivo, mal escrito, como é mesmo? Drummond começou a dizer do poema com ar de criança feliz:

– “Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra…”

Antes dele terminar alguém disse:

– Que coisa besta parecendo o tal trem de mineiro, “tinha uma pedra no meio do caminho” …

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Pensei um pouco sem saber o que dizer, quando do nada ouvi alguém dizendo:

– Já ouviu falar de todas estas nobres pessoas? Tarsila do Amaral, Nélson Rodrigues, Afonso Pena, Benedito Valadares já me disseram algo sobre você Carlos, eu sou o Manuel Bandeira.

Meio disperso tomando o seu chá, tão à vontade como se a casa fosse dele e o quarto também:

– Seja bem-vindo Carlos, como havia dito antes, sou o Manuel Bandeira! Uns meses atrás recebi uma carta sua que gostei muito quando eu li, sendo extremamente cordial e gentil comigo, me dizendo ser meu admirador, agora pessoalmente vos agradeço! Obrigado pela consideração ao me dizer tudo ali escrito! E caminhou em direção ao Carlos Drummond de mãos abertas o cumprimentou, em

seguida lhe deu um abraço e disse:

– Está sendo um enorme prazer!

Carlos Drummond deu-lhe a mão e disse também:

– O prazer é meu… Quando não sei precisar qual o jornal o seu poema foi veiculado, caro amigo Carlos, eu no primeiro momento achei uma merda! Tipo um monteado de frases sem coerência, sem coesão, sem sentido. Porém algo foi me chamando a atenção, fiz novas leituras do poema que antes achei mais que esquisito, mal escrito na sua construção verbal, tudo fora de ordem, porém agora depois de outras leituras mudei de opinião, por existir algo que me chamou a atenção, na regra normal vejo como ruptura, que é o que realmente

queremos: uma nova forma, um novo estilo. É o que buscamos aqui, a nova e independente literatura brasileira, escrito por brasileiros com novos anseios, novas perspectivas.

O seu poema foge da maneira tradicional da estética poética que muitos criticam como sendo mal escrito, vale pela sua audácia, a intenção de provocação sobre tudo que havia antes, então até um certo tempo, até que a ficha caísse e me desse um novo entendimento para que eu pudesse compreender o seu real propósito. Então Manuel seja fixo na sua intuição e segura a sua onda em relação as novas coisas que você escreve, as críticas serão ferrenhas… Perguntas do tipo: o que é isso mesmo? Não fica chateado Drummond! É o que queremos fazer, é o grande objetivo de todos nós engajados aqui para propor esse desafio de romper com as mesmices.

Diante de tudo que acabara de ouvir nada menos que o seu mestre, o qual declarou em diversos momentos, eu fico extremamente feliz com os comentários e vindo de você meu mestre, só me resta seguir as suas orientações.

Naquele instante, enquanto todos falavam ao mesmo tempo, compreendendo a questão

no pé da razão, disse a todos ali presentes:

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– Gostaram do poema? E desse seu jeitinho mineiro de ser e escrever, como quem quer quebrar regras romper com o tradicional? – Manuel encheu a bola de Carlos Drummond.

Drummond com a paciência e a preguiça de quem quer falar, com o jeito peculiar dos mineiros partindo as palavras, encurtando as frases, tornando de jeito que só o mineiro sabe falar.

Parecia ser um devaneio no seu olhar de quem avista a montanha, como quem diz lá em Minas Gerais: “a cá”, é ali; “pega pra mim esse trem”; “uai”, “sô” …

Eu me vi num fogo cruzado, ouvindo um e outro dizendo um monte de coisas.

Algumas entendi, outras: nada com nada, patavina alguma, cai na gargalhada mesmo com toda preocupação em relação ao compromisso que batia diante dos meus olhos, ou seja, ficou o dito pelo não dito, as conversas se misturaram tanto que não dava mais para diferenciar a

voz que de quem estava falando…

Nas minhas indagações comecei a entender o porquê dessas pedras no meio do caminho, que rolam das montanhas dos vales, dos picos agudos que arranha o céu desses mineiros, posso dizer: de ouro, de diamantes, de esmeraldas, alexandritas e ametistas, por fim, o minério de ferro, o “bem” extraído da natureza, o mais recente de todos já explorados que fazem questão de dizer repetitivamente, enfadonhamente, querendo mostrar que nas suas retinas fadigadas de tanto ver paredões e mais paredões, picos e mais picos, aqui me parecia ser um dia! O fundo do mar. Surgiam como palavras de ordem, tantas regras, tantas métricas, como gostava de fazer Olavo Bilac, com seus sonetos sobre sonetos, para ele sim o que estamos fazendo não tem sentido, falar da tal pedra no meio do caminho, como diz o seu poema meu caro. Enquanto cidadão mais quanto poeta, só queria exaltar a sua terra natal, quando novamente ele nos disse, já no final da conversa, que acabara de escrever o poemaInconfidência Itabirana”:

– “Sou eu, o verso esquecido, à fotografia como lembranças de um quadro na parede, a frase que acabou no futuro internalizado na mente dos Itabiranos – como dói…”

Sem bem entender as conversas, olha quem chega, daqueles lados de lá também: Adélia Prado! Toda mocinha, uma musa, falando de mulher para mulher, como se já fosse uma mulher experiente e já bastante vivida, com sentimentos ousados em relação ao seu tempo, mostrava para todos nós ali a alegria de uma criança com a publicação do seu poema

chamado “Com licença poética”:

– “Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar

bandeira”.

Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. ‘Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir’. Não sou feia que não possa casar. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou” …

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Parecia tudo às escondidas, não! Era uma nova forma de cada um conceber o novo.

Não paravam de chegar poetas e poetisas, entusiasmados com o movimento que inovava, uma outra forma de escrever as palavras traduzindo-as em sentimentos. Visto nos primeiros versos do seu poema quando ela procura exaltar o direito da mulher, cujo sentimento existe e necessariamente não importa se este sentimento seja alegre ou triste, com dor ou sem amor, versos soltos, diferente do que havia antes, nada de modelagem e muito menos na forma enegrecida aos padrões métricos, na formação do poema como era para os poetas, fixo a uma ideia limite, restrita a uma falsa liberdade que impõe os sonetos padronizando os poetas de maneira elitizada em relação ao estilo de época, que vem da arte moderna, ou seja, romper com os padrões estabelecidos por uma determinada época e estilos.

Quase que no mesmo instante, chega alegre e desprovida de maldade a quem se tornou uma das poetisas já na segunda e terceira fase do modernismo brasileiro: Clarice Lispector, uma estrangeira nascida na Ucrânia, mas de coração e alma brasileira. “Grande destaque da terceira geração modernista, mas já se misturava aos veteranos em relação a ela, que muito depois foi e é considerada uma das maiores escritoras do Brasil”. Enquanto poeta escreveu o poema chamado “Sonho” que diz: “Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor das para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança “suficiente para fazê-la feliz”. – Ela repetiu o poema seguidamente explicando que o poema insinua uma maneira livre de sermos com todos os nossos pensamentos e virtudes, livres de métricas, sem rima, um novo modelo, ditando uma nova era, uma nova época da poesia, no decorrer da sua trajetória no acúmulo do fazer, é considerada até os dias de hoje uma das maiores escritoras do Brasil. Além de poesias, escreveu romances, contos e obras de literatura infantil.

Do nada aparece a pantaneira misturando qualquer assunto, um bom exemplo disso ela

de maneira empolgada querendo de todo jeito mostrar pelo menos um dos seus poemas e tentando fazer a leitura de um e outro, pediu a todos nós muita atenção e sensibilidade para escutarmos o poema que iria ler, que achamos ser vulgar, por pensarmos puramente no profano, a condição do ser. Às vezes esquecemos que nem sempre é possível classificar as pessoas por aparência, talvez seja um jeito milenar entre a humanidade, no real são formas de rotular, dar nomes ao pior, descriminar, comparar inferiorizando o outro de maneira preconceituosa como o mundo da hipocrisia que é julgar e ser julgado, daquilo que se acha no

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direito de ser certo ou errado e o pior, sem ter a mínima noção de causa, não importa se a sobrevivência dos fortes não é a ética e nem a justiça soberana. Ao analisar tais conceitos que nós mesmos criamos não é generalizar, mas a humanidade é perene; a ideia ora afaga, ora destrói, tende a sempre ser assim, condena e absorve o que era, deixa de ser o que é para ser outra coisa. Portanto, para entender melhor vamos ver o que diz o seu poema e deixamos para tirar as nossas dúvidas e chegar as conclusões.

Mulher da Vida, minha irmã. De todos os tempos. De todos os povos de todas as latitudes. Ela vem do fundo imemorial das idades e carrega a carga pesada dos mais torpes sinônimos, apelidos e apelidados: Mulher da zona, Mulher da rua, Mulher perdida, Mulher à toa.

Mulher da vida, minha irmã.” – Recita Cora Coralina.

Antes de dizer sim ou não, autorizando ou não a sua entrada, olha quem entra jogando tudo para cima, meio que tropeçando nos passos, falando dez palavras por segundo “vixe” Maria: Manuel Bandeira que teve o seu grande destaque na primeira fase do modernismo no Brasil provocou o quanto pode. Além de poesia, escreveu também obras em prosa. Com grande lirismo, sua obra versa sobre temas do cotidiano e da melancolia, estou dizendo tudo isso para vocês terem a ideia quem é esse cara.

Eu me vi numa satisfação total, mesmo me sentindo um aprendiz na pressão de realizar um trabalho com êxito para que eu passasse de ano, melhor dizendo uma nova série de meus estudos, com isso a todo momento um batia na porta e eu atendia, com aquela educação todos me pediam licença, sem muita cerimônia iam entrando percebendo que eu já não sabia bem quem eram e eles davam boas gargalhadas ao me ver apreensivo e inseguro.

Às vezes um e outro me consolava dizendo que o fato de todos estarem reunidos em meu quarto era exclusivamente para me ajudar a fazer o trabalho:

– Atribuído a você meu garoto, uma nova chance em relação ao ano e o trabalho que você não apresentou bem, o mais legal de tudo isso é sabermos que estamos de volta aqui por intermédio dessa ideia maluca que você teve de inventar esta tal máquina do tempo, voltarmos ao seu tempo através dessa sua invenção mais que criativa, portanto fique bem tranquilo que vamos te ajudar e como recompensa vai ter uma excelente nota neste seu trabalho! – Disse

Manuel Bandeira.

Contudo que acabara de ouvir fiquei superfeliz, eram homens e mulheres imortalizados na história da nossa língua portuguesa e diante deles, como se eu fosse um

anfitrião dos seus tempos, procurei não me deslumbrar para não perder o foco do trabalho, mas confesso a vocês, além de não conseguir descrever somente com palavras, reconheço que estou extremamente feliz com tudo que tem acontecido nesse curto espaço de tempo. Este

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meu encontro com todos esses imortais, viajando ao meu tempo estou me divertindo muito, não imaginam o quanto.

Depois de estar com o trabalho concluído e corrigido por eles mesmos, não sei nem dizer como me senti! O meu quarto naquele instante virou festa da casa da “mãe Joana”, uma confusão total minha gente! Muita alegria… outros já faziam toda questão de contribuir para o trabalho, como foi o caso desta jovem a poetisa Cecília Meireles, que de maneira descontraída recitou um trecho de seu poema:

– “Da dor, aguda no coração, sombra da noite, a solidão individual de nós, uns mais…

outros menos ou nada, mas nada era comparado a sua loucura tamanha solidão”.

Ela não parava por aí, de um poema passou a recitar outro:

– “Nunca mais… Eu canto porque instante existe e a minha vida está completa, Canção do amor”.

Vimos diante de nós uma mulher jovem, sua beleza com um jeito peculiar para determinados olhos, uma beleza exuberante, linda de viver! No momento em que ela recitava, muitos de nós observamos de maneira encantada o seu poema. Manuel Bandeira se sentiu influenciado e entrou no embalo recitando alguns de seus poemas: “Eu faço versos como quem morre”, “Amargo e quente” “Dói me nas veias”, “O meu verso é sangue”, “Volúpia ardente” e “Tristeza esparsa”. Voltou a dizer:

– Eu faço versos como quem morre.

Quando ele acabou de dizer tudo que havia escrito nos poemas citados, os quais apresentou mesmo sem saber ao certo o que dizer! Cecília lhe disse:

– Muita loucura do senhor e de seus poemas… – Dirigiu-se dessa maneira por ainda não saber o seu nome – Credo moço! Estes poemas que mata e morre de coração! Que aniquila a alma, despedaça, estilhaça como vidro os sentimentos são loucos.

Sem prolongar mais o assunto ela disse:

– O senhor dê-me a sua licença que vou conversar com umas amigas aqui, foi um prazer…

Ele educadamente respondeu:

– O prazer foi meu! Cecília Meireles foi demonstrando talento e bastante sensibilidade ao escrever seus textos, sua poesia foi reconhecida ainda em vida, toda a sua importância enquanto ofício, uma poetisa carioca. Cecília é uma das primeiras mulheres a ter grande destaque na literatura brasileira. Foi escritora da primeira e da segunda fase do modernismo no Brasil, suas poesias apresentam caráter intimista, com forte influência da psicanálise e da temática social. Ela

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vivia em meio aos desafios ora pelos cálculos exatos, ora pela subjetividade humana, nem bem uma coisa e nem outra, o morno, o quente, o gelado o frio, o doce o amargo na língua, o triste, o alegre, dizendo a si mesma o porquê do poema dentre se o medo e a coragem geram um certo contraste como influência. Parecia ter vindo do barroco:

– “ Eu canto porque o instante existe e minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias não sente gozo nem tormento. Atravesso noites e dia no vento. Se desmorono ou se edifico se permaneço ou me desfaço, não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: mais nada.”

Do tosco barulho das serras gaúchas, sem o silêncio dos velhos pampas, olha quem entra na sala do novo saber, na sua forma mais desprovida e simples de escrever, economizando as letras minimamente para expressar o seu sentimento no menor verso, no menor poema, sem a preocupação de usar métrica, a rima externa e interna no verso, que não dita aliteração alguma de um ritmo que possa melhor animar o verso, eu estou falando do grande Mago: Mario Quintana. Eu estou dizendo não por ter sido apresentado para ele, mas na bizarria de todos comecei a observar que era um senhor de pouca conversa, me parecia ser místico ao extremo, bem parecido com algum comportamento de Fernando Pessoa.

Referencio alguns de seus hábitos como viver itinerantemente, optou em todo o seu trajeto enquanto poeta viver daqui para lá, buscando novos ares e lugares diferentes, morar na maioria das vezes em hotel. Era uma inquietude que havia consigo muito grande por não permanecer muito tempo em uma cidade, sempre em trânsito mudando de lugar para lugar, por isso justificava a sua condição de querer só morar em hotéis, curtas temporadas, logo estava de saída para outro lugar… Poeta nascido no Rio Grande do Sul, Mario Quintana ficou mais conhecido por ser o “poeta das coisas simples”, veio a ser um dos maiores poetas brasileiros do século XX, teve grande destaque na segunda fase do modernismo no Brasil. Sua obra poética explora temas como o amor, o tempo e a natureza:

– “Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto se alimentam um instante em cada par de mãos e partem. E olha, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti” …

Em resumo, parecia a guerra dos poemas, montaram no meu quarto de maneira criativa um varal estendido com vários poemas, todos querendo mostrar o seu valor e falar de coisas diferentes, fora de padrões, o que percebemos é que todos ali tinham a consciência de que estavam propondo uma ruptura, nascendo um novo estilo de época. Muita coisa que fez

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surgir este novo estilo, essa poesia em alta sendo reconhecida como instrumento de mentalização, o conhecimento e a sensibilidade atribuída aos novos talentos: Vinícius de

Morais, Paulo Leminski, Chico Buarque de Holanda, outros tanto quão bons, além dos que me faltaram na época com suas visitas.

Alguém se lembra quando eu acionei a minha máquina do tempo que foi criada para simplesmente falar um pouco dessas feras para vocês, em relação ao trabalho de escola o qual estou submetido em fazer para melhorar as minhas notas senão eu seria reprovado, mas indiferente do resultado que não seja somente notas…

Fiquei surpreso e ao mesmo tempo muito feliz em retroagir e depois avançar no tempo para descobrir novas coisas e ver todos esses camaradas conversando comigo, no meu quarto, horas noturnas ou a noite inteira ouvindo um e outro me ensinando o que era para ensinar, me dizendo o que era para ser dito, exatamente no meu quarto me ajudando a desenrolar o

trabalho. Portanto, vou extrapolar do contexto, o meu português não é lá essas coisas e muito menos a minha memória em relação à nossa história, mas a minha máquina do tempo funcionou modesta parte bem, me remeteu ao passado e me trouxe de volta para o presente, me deixando uma enorme vereda de conhecimento que vou levar para o meu futuro, moral da história: tirei uma nota que achei o máximo para alguém que é péssimo em português, fiquei feliz com 95!

FIM!

Revisão por: Michelle Segantini

 

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